Telecirurgia robótica na USP marca avanço da cirurgia ginecológica no SUS

Sergio Conti Ribeiro, ginecologista, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em cirurgia minimamente invasiva, integrou a equipe responsável pelo primeiro estudo clínico que demonstrou a viabilidade da telecirurgia robótica utilizando a infraestrutura do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os resultados foram publicados na revista científica Clinics e representam um marco para a medicina brasileira, reforçando o potencial da tecnologia para ampliar o acesso a especialistas e reduzir desigualdades regionais na assistência à saúde.

Quem é o Dr. Sergio Conti Ribeiro?

O Dr. Sergio Conti Ribeiro é médico ginecologista e obstetra, professor da Faculdade de Medicina da USP e referência em cirurgia minimamente invasiva e cirurgia robótica ginecológica.

Com mais de 30 anos de experiência, atua no desenvolvimento de novas tecnologias aplicadas à saúde da mulher, combinando assistência clínica, pesquisa científica e formação de novos profissionais.

Sua trajetória está diretamente relacionada à evolução da laparoscopia, da cirurgia robótica e, mais recentemente, da telecirurgia no Brasil.

O estudo publicado na Revista Clinics

O artigo “Clinical application of robotic telesurgery in the Brazilian public health system: a consecutive case series” descreveu a primeira aplicação clínica da telecirurgia robótica dentro da infraestrutura do SUS.

O projeto foi desenvolvido pela Faculdade de Medicina da USP e pelo Hospital Universitário da USP, utilizando a plataforma robótica Toumai/MicroPort.

Foram realizados cinco procedimentos consecutivos em quatro especialidades médicas:

  • Ginecologia;
  • Urologia;
  • Cirurgia torácica;
  • Cirurgia de cabeça e pescoço.

Quatro das cinco cirurgias foram concluídas integralmente por meio do controle remoto do robô, sem intercorrências relacionadas à tecnologia.

A participação do Dr. Sergio Conti Ribeiro

Na área da ginecologia, Sergio Conti Ribeiro participou da realização de uma histerectomia com ooforectomia bilateral em uma paciente com sangramento uterino anormal associado a miomas.

O procedimento foi conduzido com segurança, seguindo protocolos previamente estabelecidos e contando com uma equipe multidisciplinar presente ao lado da paciente durante toda a cirurgia.

A experiência reforça o potencial da telecirurgia como ferramenta para ampliar o acesso das mulheres brasileiras a tratamentos altamente especializados.

Como funciona a telecirurgia robótica?

A telecirurgia é uma evolução da cirurgia minimamente invasiva e da cirurgia robótica convencional.

Nesse modelo:

  • O cirurgião opera a partir de um console remoto;
  • Os comandos são transmitidos por redes de alta velocidade;
  • Braços robóticos reproduzem os movimentos com elevada precisão;
  • Uma equipe médica permanece presencialmente ao lado do paciente durante todo o procedimento.

Essa combinação permite unir tecnologia, segurança e expertise médica em benefício dos pacientes.

Quais foram os principais resultados do estudo?

Os resultados demonstraram:

  • Latência média de aproximadamente 12 milissegundos;
  • Ausência de eventos adversos graves relacionados à tecnologia;
  • Nenhuma mortalidade ou necessidade de reoperação em 30 dias;
  • Elevada percepção de segurança entre cirurgiões, anestesistas e equipes locais.

Os dados reforçam a viabilidade da utilização da telecirurgia dentro da infraestrutura pública brasileira.

Como a telecirurgia pode beneficiar a saúde da mulher?

A incorporação da cirurgia robótica e da telecirurgia pode ampliar o acesso a procedimentos especializados realizados por equipes altamente capacitadas.

Doenças como:

  • Miomas uterinos;
  • Endometriose;
  • Sangramentos uterinos anormais;
  • Patologias ovarianas;
  • Outras condições ginecológicas complexas;

podem se beneficiar da expansão das técnicas minimamente invasivas e da disseminação do conhecimento médico para diferentes regiões do país.

O objetivo não é substituir o atendimento presencial, mas permitir que mais mulheres tenham acesso à experiência de especialistas, independentemente de sua localização geográfica.

Entrevista | Dr. Sergio Conti Ribeiro comenta o futuro da telecirurgia

O que representa participar desse projeto?

“Participar da primeira experiência clínica de telecirurgia dentro do SUS é um marco para a medicina brasileira e demonstra que a tecnologia pode ampliar o acesso da população a especialistas e tratamentos de alta complexidade.”

A telecirurgia é segura?

“A segurança do paciente é prioridade absoluta. Existe sempre uma equipe presencial completa e protocolos previamente definidos para qualquer eventualidade.”

Como a saúde da mulher pode ser beneficiada?

“A evolução da cirurgia robótica e da telecirurgia cria oportunidades para que mais mulheres tenham acesso a procedimentos especializados, independentemente da região onde vivem.”

O futuro da cirurgia robótica no Brasil

A experiência conduzida pela USP demonstra que inovação tecnológica, ensino e assistência médica podem caminhar juntos dentro do Sistema Único de Saúde.

O avanço da telecirurgia representa não apenas uma conquista científica, mas também uma oportunidade para reduzir desigualdades e ampliar o acesso da população brasileira a tratamentos de excelência.

À medida que novos estudos forem realizados e protocolos forem consolidados, a expectativa é que a tecnologia possa beneficiar um número cada vez maior de pacientes em todo o país.

Perguntas frequentes

Quem é Sergio Conti Ribeiro?

Sergio Conti Ribeiro é médico ginecologista, professor da Faculdade de Medicina da USP e especialista em cirurgia minimamente invasiva e cirurgia robótica ginecológica.

O que é telecirurgia robótica?

É uma tecnologia que permite que cirurgiões realizem procedimentos à distância utilizando plataformas robóticas conectadas por redes de alta velocidade.

A telecirurgia já é utilizada no SUS?

Projetos conduzidos pela USP demonstraram a viabilidade da tecnologia utilizando a infraestrutura do Sistema Único de Saúde, representando um importante avanço para a medicina brasileira.

A telecirurgia é segura?

Sim. Os procedimentos contam com equipes presenciais completas e protocolos rigorosos de segurança para garantir assistência imediata em qualquer situação.

Quais são os benefícios da cirurgia robótica?

Maior precisão cirúrgica, menor sangramento, menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida das pacientes.

Como a telecirurgia pode beneficiar a saúde da mulher?

Ela pode ampliar o acesso a especialistas e a procedimentos minimamente invasivos, especialmente em regiões distantes dos grandes centros médicos.

Graduação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)

Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)

Doutorado em Medicina (Obstetrícia e Ginecologia) pela Universidade de São Paulo (FMUSP)

Cursos de especialização nos Estados Unidos, com ênfase em Cirurgia Videolaparoscópica e Cirurgia Robótica.

Médico Chefe do Setor de Laparoscopia Ginecológica  da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)

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DR. SERGIO CONTI RIBEIRO

Itaim Bibi • São Paulo • SP

Fone +55 11 3079-5050